Comigo mesma

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“Acho espantoso viver, acumular memórias, afetos.”

Caio Fernando Abreu.

Sento-me à porta, o calor do dia toca minha pele. Nada como o verão, mas sinto falta de outras estações, talvez não tão vivas e brilhantes quanto essa, mas encantadoras de formas distintas. Sou uma contradição, gosto de opostos. Branco. Preto. Verão. Inverno. Noite. Dia. Tanto faz, eu adoro. Adoro a vida – mesmo quando dolorosa – e não temo a morte. Não a minha.
Às vezes fico repleta de sonhos e sensações. Às vezes não sinto nada, e isso também machuca, talvez não como a dor do não-amor ou da perda, mas como uma dor que implora por motivos, razões. Mas nada acontece, e essa dor desnecessária é que me preenche nas horas vagas, e nela até sorrio… Não sou triste como pareço, embora não saiba quem e o que sou, sei o que não sou. E não sou triste. Apenas tenho um curioso afeto pelo que machuca, ah, as pessoas detestam tanto o que fere, que sinto piedade, e poderia pô-los em meu colo para protegê-los de tantas palavras más a seu respeito. Palavras machucam, trazem lágrimas até aos olhos mais alegres e brilhantes.
Tenho os olhos de quem sonha, de quem quer. E acho que essa seja uma boa definição para mim, tão simples e clara. Alguém que sonha. Alguém que quer.
Mas isso não descreve exatamente minha essência, pois sou também alguém que sente. E sendo assim, choro, rio, sor-rio, também me calo, observo e falo sem parar. Me desespero, sinto medo, tédio. Fujo para dentro de mim, caio em meus abismos, pulo de precipícios. É isso que sou. Isso e um pouco mais, porém não sei, às vezes todas minhas certezas tornam-se pó e não é nada fácil reconstruí-las.
Gosto de imobilidade, tenho medo de escuro, sou perfeccionista, detalhista e dezenas de outros adjetivos que podem ser bons e ruins – ao mesmo tempo.
Agora, o vento balança as folhas dessa árvores que é uma memória viva de minha infância. Eu adoro o vento, adoro a sensação de leveza que ele me traz – ou do peso que às vezes carrego. Adoro o vai e vem da rede e odeio o vai e vem do amor. Amo e não amo, amo e não amo, e isso também machuca.
Tenho essa mania de ir e vir, mas também sou definitiva: ou permaneço ou digo adeus. Dói dizer adeus, principalmente quando existe esperança. Dói viver, dói morrer – por dentro. Dói chorar escondido, no escuro, em um canto. O que vale a pena dói, o que não vale também. Vez ou outra sou tão dolorosa, tão dolorida, que chego a sorrir, e acolho a dor, porque ninguém mais a quer. E rejeição dói muito mais.

@viajantejeans

@DanielaFilipini – http://www.danielafilipini.blogspot.com/

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